O seu sorriso, sorriso sincero bastava para lhe acalmar todos os nervos. Não importa quem tivesse pisado no seu pé ou que tivessem lhe tratado de maneira grossa em uma loja qualquer. Era sempre o seu sorriso (e não nos esqueçamos que um sorriso se faz de muito mais que um par de lábios) que o acolhia, que o recebia e dizia no fundo do seu ouvido com todo o carinho que se pode receber: estou com você. E nesse instante tudo de ruim que sentia, todo aquele pesadume se levantava com a leveza de uma poeira que se sopra. Nem sombra sobrava do que sentia antes, tudo se transformava impiedosamente em leveza.
E talvez justamente por isso temia que o dia que não tivesse mais esse sorriso, que se por alguma razão (e já imaginava a culpa nele próprio) aquele rosto acolhedor se recolhesse. Se se fechasse – tremia só de pensar nessa possibilidade – para sempre. Não é fácil descrever como ficava quando em raros momentos pensava nisso – geralmente nas noites em que por razão do pai que estava nas últimas ela dormia fora. Primeiro que não conseguia pensar nesses momentos. Tremia, suava frio e tinha sérias dificuldades em dormir, revirava-se durante horas e quando se levantava apoderava-se dele uma inquietidão que não o permitia se focar em nada. Geralmente após essas agitações acabava desmaiando e ao acordar nada se lembrava. Apenas pressentia: ficaria trôpego sem aquele sorriso, sem conseguir sair do lugar, de tão pesado.

esse sorriso é pra sempre teu, garoto. (:
ResponderExcluir(ai, como queria abraçar vocês dois!)