A direção nunca errava. Parecia haver em sua mente um mapa da cidade – ou talvez, como alguns achavam e até afirmavam perante terceiros, havia morado naquela cidade por anos a fio, tempo o suficiente para conhecer todos os caminhos que muitos moradores estabelecidos nem desconfiavam. Por isso mesmo não importava onde iam: o guia seria sempre ele. Ninguém melhor que ele para escolher a rota mais eficiente no metrô, o caminho mais bonito ou até aquele no qual poderíamos comprar aquele delicioso croissant que gostoso daquele jeito só se vende na boulangerie da rue de l'Ancienne Comédie . Havia, é claro, momentos em que hesitava, titubeava frente a uma esquina, mas nada disso tirava da sua habilidade – pelo contrário, a hesitação só provava que não era a soberba que lhe guiava.
Poucos sabiam, no entanto, que se sabia se escolher tão bem as esquinas, escolher as melhores rotas de metrô nada disso passava pela sua cabeça ou pelo mapa que carregava no bolso mas-quase-nunca-abria. Se sabia por onde ia, e é o que dizia às pessoas quando perguntavam há quantos anos morava ali (não estranhavam seu francês canhestro? – pra não dizer demente) a resposta era simples:
Poucos sabiam, no entanto, que se sabia se escolher tão bem as esquinas, escolher as melhores rotas de metrô nada disso passava pela sua cabeça ou pelo mapa que carregava no bolso mas-quase-nunca-abria. Se sabia por onde ia, e é o que dizia às pessoas quando perguntavam há quantos anos morava ali (não estranhavam seu francês canhestro? – pra não dizer demente) a resposta era simples:
delícia ler vocês dois: ela lá, você aqui. os dois aí. (:
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